12 de nov. de 2010

Eu odeio primavera!

É, odeio mesmo. Essa conversa de estação mais bonita do ano não tá com nada.
Na primavera eu teimo pra não dormir de janela aberta, apesar do calor que começa a invadir as madrugadas. É que junto com a brisa, há uma revoada exagerada de insetos, e entre eles a mais temida e pavorosa barata, que na tão famigerada época de renascimento e renovação saiu do sono profundo do inverno e alveja as janelas abertas durante a noite.
Por mim podia fazer frio o ano todo. Nem esse sol escaldante me serve pra muita coisa boa, não numa cidade que quase não tem árvores nas ruas, longe da praia ou sem piscina.
Primavera, florzinha, borboletinha voando eu deixo com os românticos. Eu só sinto pernilongos beliscando meus tornozelos, escuto o canto horripilante da cigarra torcendo pra não cruzar com uma no meu caminho e passo calor durante a noite.
Eu tive um amigo romântico, daqueles no extremo, bem típico. doente. Ele amava perdidamente pessoas que ele mal conhecia, mas na mente dele a amada já tinha um perfil formado, e era perfeita. De um dia pro outro ele desapaixonava, e já amava outra, com a mesma rapidez que desamou e talvez até por conta do novo amor. Era um ciclo de idealizações. Não posso dizer que ele deixava de gostar de alguma quando ela se apaixonava também e os dois enfim se conheciam, nunca vi ele ser correspondido, coitado.
Pra tentar ver com clareza o que acontecia em volta, eu procurei, cavei defeitinho do falecido que tanto amava, por mais que tudo que me surgisse na mente fossem coisas lindas. Duvidei do que eu já não acreditava, por mais que fosse um bom consolo, pra não me perder de mim mesma, no meio das minhas próprias ilusões confortadoras.
E no final, não faz tanta diferença o que eu acredito, as coisas são ou não, e eu nunca vou saber. Só queria conseguir confiar que existe um bom lugar depois de tudo.
Deixo as flores com os românticos.
Eu prefiro os ipês, dos roxos, que florecem no inverno, exibindo vitalidade depois do outono.

7 de nov. de 2010

Final de semestre




Eu fiz o desenho assim assim que acabaram as provas do bimestre passado. Desenhar na semana de provas é pecado.

26 de out. de 2010

Um sábio falou pra Maria...

-Olha, essa coisa de se apaixonar e se relacionar, é normal. Não pense que vai mudar ou melhorar com o passar dos anos, não, viu? Vai ser seeeeempre a mesma coisa. Seeeeempre daquele jeito. Vai ser como se fosse a primeira vez, todas as vezes. E é assim que é. Mas o problema mesmo de ter alguém, é a forma com que você o ''possui''. Tente entender. Você já teve um gato, não teve? E um passarinho? Sim. Pois é, qual dos dois ficava na gaiola? E qual dos dois vivia livre, e passava a maior parte do tempo com você, em seus braços? Gostar de alguém é mais ou menos como criar um gato, e nunca um passarinho. Não coloca numa gaiola, não prende, não impõe convivência, que isso é uma merda. O passarinho até fica ali na gaiola, comendo do teu alpiste e bebendo da tua água. Mas o pensamento dele está nos ares, nas florestas, nas passarinhas que ele perde de conhecer, e assim que ele tiver uma chance, quando você vacilar com a gaiola, ELE VAI VOAR PRA LONGE, BEM LONGE DE VOCÊ. E ele não volta não, viu? Mas veja o gato. No começo, ele vai querer conhecer todos os cantos, e ficar distante. Ai você dá um leitinho, uns biscoitos, um carinho.. e ele começa a vir todas as manhãs pra perto de você. Gato é um bicho difícil de conquistar, tipo gente. Mas no final é basicamente isso: eles não precisam de muito para se sentirem necessários e necessitarem também. Quando você menos nota, ele não sai mais de perto. E nem precisou de gaiola, entendeu? Pois é, é mais ou menos isso aí..

Pois é, disseram pra Maria...
Eu conheço o blog da Maria por causa do blog do Henrique.

17 de out. de 2010

Vou tentar manter o coração aberto pra você

Eu não sei se devo chegar dando um beijo e um abraço apertado, e simplesmente agradecer, por tudo que nós somos, por ser relativamente fácil, e tão natural o gostar.
Pelo diálogo e paciência.
Ou se eu não quero fazer parte disso, dessas preocupações e irritações, ter que aprender a conviver com outro gênio, com outras convicções, com outros preconceitos e certezas.
Nos momentos de silêncio que corroem toda aquela espontaneidade.
Eu não sei se é fantástico e diferente, ou se assim sempre parece, e por fim, os problemas se repetem.
Se eu recebi o presente divino de amar alguém tão bom, ou se também eu me apaixonei por sua bondade.
Eu sei que eu amo mais do que fico brava com certas coisas.



Não basta que o outro tenha as qualidades que você admira, é preciso que tenha os defeitos que somos capazes de suportar. E ainda admirar as qualidades, sem isso, há apenas uma amizade sem contemplação. Sem defeitos particularmente toleráveis, há um desamor a si próprio. Mas essa é a maneira de algumas pessoas amarem o outro.


"Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defenda,
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor
vacila."
Quando o amor vacila - Maria Bethânia


9 de out. de 2010

Querido diabo,

Hoje eu comecei o dia perdendo o ônibus por um beijo, mas só porque eu sou tonta e incrivelmente distraída.
Depois perdi o celular no ônibus, não o mesmo que eu já havia perdido, outro, outro ônibus. Ainda bem que alguém teve pena da pessoa tonta que deixou o telefone no banco e entregou para o cobrador, e ainda bem que o cobrador me devolveu. Depois disso me vesti de mãe de santo açougueira e sai na rua feito uma tonta de branco e jaleco na bolsa, já que é proíbido carregar jaleco na mão, a toa, porque não tinha nada pra eu fazer na clínica.
Pra acabar o dia bem, meu amado namorado passou mal com a comida que eu fiz.
Obrigado Deus, por eu ter um namorado tão paciente e querido, por estar na faculdade e poder bancar os caros custos investimentos que esse curso me faz ter. Ah, e por eu ter comida pra fazer pro meu namorado, coitado.
Mas que ser humano acerta um jornal dentro do próprio globo ocular, sem o reflexo automático de fechar as pálpebras?

10 de ago. de 2010

Só enquanto eu respirar


Vou me lembrar de você!
enquanto eu respirar.

17 de jul. de 2010

Que seja doce.

Eu não preciso de um anel,
preciso da sua mão.
Não preciso de sobremesa
mas prefiro antes do almoço.
Prefiro café, sem nadinha de leite,
e sempre fresco, feito na hora
mas não muito cedo, que é pra não ter que pular da cama
Gosto dos ipês, floridos
prefiro os roxos,
que tingem de cor alegre os céus cinzas do inverno
tinhoso e chorão
Dos amarelos, prefiro a música
que valeu um raio de sol pela intenção amorosa
num sorriso sincero
que qualquer surpresa planejada jamais conseguiria
Não gosto de amarelo
prefiro azul
de verde, só o caderno
e as folhas do ipê que caem para dar lugar às flores
na árvore que fica com seus ares sinistros e provocantes de galhos desnudos
provida apenas de suas atraentes pétalas
incapaz de alimentar mais de um elemento
Já preferi o frio
já o calor, um dia não me incomodou
hoje, prefiro o cobertor.
Sou como criança
que segura a linha do balão de gás com toda a força que tem
que não confia no laço feito em torno do pulso
Eu gosto de margem de erro
que é pra usá-la a meu favor
sem levar tudo até as últimas consequências,
desde que eu esteja certa,
é claro
eu gosto de estar certa




“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.”

Caio Fernando Abreu