21 de jun de 2009

O único problema...

O único problema é o medo,
que inibe minhas decisões
A coragem,
que incita minha inibição
E a dúvida,
que questiona minha incitação
Enfim, são três únicos problemas
e eu..? eu não faço nada
nada mesmo

8 de jun de 2009

É o caso. (cap.III)

(...)
Ainda sobre acaso, estava eu, no terminal urbano de Londrina esperando o coletivo para ir até o terminal rodoviário de Londrina comprar minha passagem para sexta-feira, pra não perder a viagem de novo, por chegar e já terem acabado os lugares, ouvindo músicas no celular, quando passou por mim, e por quem mais estava sentado ao meu lado nos bancos do terminal, um moço cego, devia ser cego, pois, além dos óculos escuros, não caminhava decididamente, e usava uma dessas bengalas pra cegos, acho que ele não estava brincando ou treinando, mas o diferente foi que ele carregava nas costas um violão, devia ser um violão, era uma capa dessas de violão, ao menos. Segui ele com os olhos até sumir do campo de visão que me corpo inclinado e o pescoço esticado podiam abranger, não, não fui discreta ou sutil, ele me chamou a atenção, e eu fiquei observando enquanto pude, pois, naquele momento, eu entendi.

E, no mesmo dia, das coisas boas que Londrina me trouxe, me fez e me faz, uma pertence ainda às lembranças do ano passado, que eu senti de novo, naquele frio quente na barriga, e aquela ansiedade pelo que vem a seguir, sentida minutos antes de começar a peça, quando entrei no shopping e li as palavras BILHETERIA FILO acima de pequenos guiches recentemente montados e ainda vazios, mas que só de estarem ali, esperando o breve momento em que movimentarão a cidade, já produzem aquele quente na alma, junto com os ventos frios que sopram insistentes e agradáveis à essa época do ano, tão perfeitos um para o outro. Mesmo que há um ano o festival tenha gerado problemas republicanos [não, a dúvida não era pra usar aqui, era no link mesmo], a sensação fantástica de ansiedade antes um espetáculo prevalece.

Sobre vida, morte e acasos. Quantos farão falta? Quantos nós ficaremos sabendo, anos depois dessa louca vida londrinense e nem saberemos de quem se trata?
Existe vida após a morte? Não vida vivida, nem depois da morte morrida, existe vida pra quem fica, depois da morte daqueles que são a coisa mais importante na vida de quem ficou?

Textos aleatórios é o que mais tem no tal caderno, mas eles são sempre tão autais e especificos que às vezes aqui só se encontram as conclusões, que acabam em textos curtos. Ou acabam fragmentados em vários assuntos pequenos. É o caso.