30 de dez. de 2009

A lista de objetivos de ano novo jazia... 1/3

A lista de objetivos e resoluções de ano novo jazia no post it colado na parede defronte à escrivaninha. Já se fixava com auxilio de um pedaço de durex, pois o adesivo dos lembretes já havia cedido há alguns meses. Continuava ali na esperança vã de que fosse lembrado em algum outro momento ao longo do ano.
Daqueles objetivos separados em duas categorias nomeados por ícones desenhados, indicando, basicamente, objetivos da alma e do corpo, até agora, nenhum realizado. Pensando bem, nem inédita a lista era, só mudavam as construções das frases, de ‘emagrecer 5 quilos’ para o começo do ultimo ano, para ‘emagrecer os 5 quilos que ganhei esse ano’ no final dele, no saldo, 10 quilos que lhe pesavam mais a consciência que a própria balança da farmácia na esquina, da qual já até cortava caminho. Ao lado das pequenas listas cheias de mudanças utópicas houve, por um tempo, um programa de dieta e exercícios, que foi retirado para dar lugar a algum aviso de compromisso da faculdade, ou de um filme na televisão que não queria perder, nem lembrava mais.
A relação dos hobbies era mais deprimente, tantas coisas que davam prazer em serem feitas, tão animadoras, mas que eram deixadas de lado em troca de horas dormindo no sofá da sala, ‘dormir menos e melhor’ outro item deixado de lado. Ela era estranha mesmo, enquanto a maioria dos universitários com a quantidade de coisas que ela tem pra fazer se priva de sono e sonhos, ela dorme bastante, até demais, e tem pesadelos. O que lhe custou mais um ano longe do objetivo sonhado ao entrar na faculdade, a formatura.Queria tocar violão, queria decorar seu quarto, montar álbuns de fotos fora do computador, reformar seu guarda roupas com o que ela já tinha, levar a diante o antigo projeto secreto. Queria.
Quis tanto.

18 de nov. de 2009

O problema é que eu te amo

Quando eu disse que amava demais, era serio.
Quando eu falei que minha vida se vinculava cada vez mais a sua, era verdade
E que meus pensamentos eram seus, meus planos e sonhos com você, meu tempo pra você, era sincero.
A priori, e não dou a mínima para utilização correta da expressão 'a priori', eram loucuras boas, se entregar por inteiro, sem gostar pela metade.
Usar todo o tempo livre possível juntos era só atender a uma anseio desesperado do coração, uma coisa tão boa, que nunca haveria de cansar.
E todas aquelas conclusões de o que não se deve deixar acontecer para não fadigar o relacionamento são postas de lado, pelo prazer da sua companhia como a coisa mais importante do mundo, com a certeza instantânea de que tamanha euforia nunca haveria de acabar.
E de repente a sensatez bate à porta e lembra que existe um mundo além desse nosso infinito particular.
A vida já era boa antes de você, e a sua boa antes de mim, então, dar um tempo pra'quela vida particular também não é tão ruim.
Antes verdades nuas, cruas e cruéis tão naturais, vão deixando que tudo se resolva. E já é preciso outro alguém pra desabafar aquilo que nem eu mesma consigo entender.
Coisas previstas, e que antes, no auge do meu equilibrio, eu pensei que saberia aceitar, mas meu sentimento extremista custa entender.
Antes simples como um beijo, sem que ainda o cotidiano e a convivência mostrasem suas faces dualisticas, que fazem tudo crescer e durar, e cada vez mais unir, e ao mesmo tempo, a necessidade de às vezes afastar, e a confusão da minha, com a nossa, com a sua vida, e com a gente, e de tolerar, entendendo que não tem nada de errado aqui.
Agora comum como um beijo.

O Problema é que eu te amo!

16 de out. de 2009

Histórias que nos contam na cama antes de gente dormir.

Um história pra gente grande dormir...

Era uma vez um menininho. Ele era um menino louco, e bem pobrezinho, e pra não passar fome ele tinha que trabalhar em uma coisa que ele não gostava [na verdade, ele tinha que trabalhar pra ter dinheiro pra ir festar nos finais de semana, mas desse jeito a história fica menos dramática], nesse trabalho ele brigava com uns caras grandes e fortes, o que era bem difícil, já que esse menino não era grandão, nem forte [isso não fazia muita diferença, já que ele brigava com os outros pelo telefone, mas não vem ao caso, ele não gostava do trabalho do mesmo jeito, porque ele era um bom menino, e não gostava de brigar com as pessoas ;D], então ele resolveu que seria um pensador quando crescesse e foi estudar numa escola de loucos, lá tinham muitos outros meninos e meninas loucos como ele, que queriam mudar o mundo, que faziam militância política [como o governo não deixava que eles estudassem isso, mudaram o nome para Ciências Sociais], mas esse menino estudava numa classe especial para loucos, uma tal de Filosofia.

Um dia, ele resolveu ir junto com um amigo dele, lá da escola de loucos, pra um lugar com outro tipo de loucos, cabeludos, barbudos, que usavam tachinhas e roupas escuras e gritavam coisas que não davam pra entender numa voz gutural. Lá nesse lugar ele encontrou perdida no mundo dos humanos, e pior, num lugar de loucos, uma fada, a fada do dente. A fada estava com uma amiga dela, que também era louca, e conhecia o amigo louco do menino louco, e ele começaram a conversar, a fada e o menino louco. Conversaram e descobriram que eles gostavam de uma coisa em comum, ela como uma fada, ele como um menino, gostavam de uma coisa mágica, que parecia com um circo, com palhaço, corista, trapezista, bailarina e soldado de chumbo, que também parecia com um teatro, algo como um teatro mágico.
Depois desse dia o menino ficou pensando na fada, mas eles eram de mundos diferentes, ele dos humanos, e ela do mundo mágico das fadas do dente, mesmo assim ele deu um jeito de conseguir falar com ela, com um tipo de ferramente para comunicação entre os mundos, o MSN. Então eles combinaram de se encontrar, pra conhecer um pouco mais do mundo um do outro, e foram pra um show do Barão Vermelho, aquele do desenho Corrida Maluca, sabe?
Desde então, eles não se desgrudam mais. Eles formaram um mundo só deles, um mundo meio mágico, meio louco, já que a fada também era louca, e o menino sabia fazer mágicas fantásicas, e ele foi mostrando pra ela como o mundo humano era mágico quando eles estavam juntos, e como um mundo louco era bem mais legal e interessante.

28 de ago. de 2009

Degraus

Aquele apartamento, tanto tempo depois, era só um amontoado de coisas que um dia fizeram sentido.
Um amontoado organizado, mais organizado que nunca, depois de tanto tempo sem aparecer por lá. Organização sempre me pareceu sinal de distância psicológica, mas ali a arrumação não tinha nada a ver com o abismo que sentia entre eu e aquele lugar, só era uma constatação, uma espécie de estopim, de epifania.
Não era possível manter minha casa organizada daquele jeito, papéis e livros obedientemente nas prateleiras, a mesa do computador não contendo nada além do objeto para o qual era idealmente nomeada: o computador. Os CDs todos empilhados copiosamente no espaço da escrivaninha destinado para CDs. Inacreditável. Nenhum espaço incumbido da missão de abrigar a mim, ao meu coração e as minhas coisas estaria daquele jeito, como não estivera aquele lugar na época em que eu o frequentei.
Parei pra pensar naquelas coisas que uma dia fizeram sentido, fitei-me no reflexo da mesma janela, e não reconheci a cortina que a cobria, nem a mim, nem a paisagem através do vidro. Quando me olhei, tentei ver o meu eu passado, tentei entender as antigas razões de estar naquele lugar, não encontrei, se quer, razão para estar ali naquele momento.
Parei, então, de pensar naquelas coisas.
Eu sabia que o que ouvi não passavam de mentiras q minh'alma utópica gostava de acreditar.
Mentiras sinceras não me interessam, não.
Não mais.
Peguei minha bolsa e saí.
Desci as escadas ainda sentindo o cheiro do café sendo coado.

9 de ago. de 2009

Sei não

"É... meu computador
Apagou minha memória
Meus textos da madrugada
Tudo o que eu já salvei
E o tanto que eu vou salvar
Das conversas sem pressa
Das mais bonitas mentiras

Hoje eu não vivo só... em paz"

O Teatro Mágico

acho que devo uma resposta quanto aos 'memes' pendentes... Na verdade nem sei se houve, em algum momento, a real intenção deles serem cumpridos, já que repassados certamente não serão, mas, enfim, quem sabe um dia eu responda, ou não
quem sabe, também, em breve eu escreva alguma história devidamente dramatizada, ou ao menos relatos das minhas férias...
quem sabe?
eu não

19 de jul. de 2009

lar, doce lar

Sentia pela primeira vez que ia embora de casa
Sentia pela primeira vez que aquela casa era um lar... de outros lares já fora embora antes, sabia qual era a sensação
Fez as malas e esvaziou o quarto, enquanto contemplava o cômodo vazio já sentia falta... Nem saíra da casa ainda, mas a cachorra já não estava ali, faziam falta aqueles latidos insistentes e irritantes pedindo a porta aberta e o acesso ao sofá preferido livre....
A vontade de ficar, pelas madrugadas de conversa, mesmo quando não se devia estar acordada de madrugada
A vontade apertada de ficar, de ficar nos abraços, dos carinhos e das palavras mudas que confessam tanto, dos olhares que prendem e gritam segredos
A casa já estava vazia, só faltava ir embora

Dualismo confuso, queria ficar e ir. Ouvir a vontade sufocante de permanecer, podia até ser, e melhor que fosse, escondida, naquele mundo em que o tempo não existe, mas passa voando, e num piscar de olhos, é tarde, já é manhã janela à fora.

E quando abriu o portão, teve a impressão de que a cachorra corria recebe-la, afobada e contente. Não havia animal algum ali, celebrando, mas sim seu coração que sentia, inquieto, que estava de novo em casa, mas de casa acabara de sair.
E sabia, que ali, de onde se distanciava aos poucos, havia tanta gente esperando sua volta, ainda que vivendo bem na sua ausência.
E resolveu aproveitar, e saiu como nos dias comuns de antes, comprar um lanche no trailer na esquina do posto de saúde, ver tv e dormir tarde, estar em casa, mesmo aflita por ter deixado à pouco um outro lar, pro qual voltaria em breve, e por saber disso, não sentia tanto medo, mas sabia, que logo sentiria muita falta, como sentiria desse quando tivesse que sair de casa pra voltar pra casa, de novo.

2 de jul. de 2009

offline

'fulana' diz:
amanhã 3 de julho vai ser o dia do offline femenino,
é uma partida que vamos pregar aos rapazes para que se aborreçam muito no msn.
Vamos meter o status offline para eles perceberem que nós fazEmos muita falta.
URGENTE PASSA A TODAS AS TUAS AMIGAS ( e cuidado com enviar a um rapaz )
não estraguem tudo!
ipsis litteris

hahahaha

é com um prazer imensurável que eu estrago coisas toscas como essas
é com grande pesar que eu sei que quase ninguém vai ler isso, que dirá até amanhã
é com apatia e tédio inimagináveis que eu resolvi postar isso só pra atualizar o pobre e abandonado blog

as coisas de fato dignas do caderno verde que caberiam ao dia de hoje não podem ser ditas assim, em veículos públicos de comunicação...
quem sabe daqui uns dias eu posto mais alguma coisa, talvez algo mais decente, ou não